Depois de vários anos, e noventa e sete lembranças (noventa e oito com esta), eu declaro o fim do caos.
O Caos Primitivo serviu por anos como meu porto seguro, minha válvula de escape, meu amigo, ao qual eu podia contar minhas tristezas e transformar os lamentos em poesia.
Pois bem, este é o motivo. O Caos Primitivo se fez de tristeza, se fez das minhas mágoas, das minhas superações que duravam um dia apenas, das minhas decepções.
Pensei em trocar o fundo negro, mas não adiantaria, o Caos Primitivo já nasceu com o propósito de ser caótico, e hoje eu me vejo em um momento de fugir desse caos.
Assim como tentamos organizar nossa bagunça em caixas, e quanto mais caixas temos, mais espaço temos para criar bagunça, enquanto existir o Caos Primitivo, existirá espaço para que eu possa desabafar minhas tristezas, e enquanto existir espaço, haverá tristeza para ser colocada aqui.
Então neste momento em que busco me proteger e me livrar dos problemas, vejo o fim do Caos Primitivo como uma forma de fazer isso possível.
Espera... eu disse problemas? Quais são de fato os problemas que temos? Hoje um senhor entrou no ônibus pedindo dinheiro para uma instituição de câncer em troca de um salmo da Bíblia,dei o que tinha e repensei minha saúde, meus 25 anos sem uma catapora, um sarampo, uma bronquite, sinusite, rinite, uma caxumba, sem ao menos uma conjuntivite. Minha anemia já não existe mais, e a única coisa que me resta é uma alergia que nem me incomoda.
Meu emprego não é exatamente o que eu procurava, mas me permite pagar algumas contas, dar alguns presentes e manter minhas vaidades. Além disso, por tratar-se de algo que eu nunca fiz, ao menos tenho um desafio e mais habilidades para incluir em meu currículo.
Minha família me ama, apesar dos embates. Minha mãe sempre diz que a gente só briga com quem a gente se importa, e ela tem toda a razão... deixar de se importar com alguém chega até a doer. Minha mãe é uma mulher doce e corajosa, que me passou as melhores qualidades que eu poderia absorver, meu pai é um homem trabalhador e compreensivo, mesmo com a cara de mau, é alguém com quem eu posso conversar. Meu irmão é um dos meus melhores amigos, me entende e tem criado uma habilidade incrível de perceber quando eu não estou bem, mesmo que eu diga que ele está errado. Minhas primas tão diferentes de mim, são mulheres incríveis ao modo delas, e hoje respeitamos nossas diferenças e aprendemos com elas.
Meus amigos são os melhores amigos do mundo! Tão pacientes, tão dispostos, tão amorosos que às vezes eu nem sei se retribuo à altura.
Qual é o problema, então? Não existe problema para fugir. Por que alguém não te deu o devido valor? Bem... se eu consigo reconhecer que não recebi o valor que me era devido, é porque eu tenho consciência do valor que existe em mim.
Mas mesmo assim, o Caos Primitivo precisa chegar ao seu fim, para que eu possa encarar as pequenas adversidades pelo caminho de frente, para que eu não precise me preocupar com quem vai ler minhas intimidades, para que eu não precise mais chorar à frente do computador, para que o meu íntimo possa ser de fato meu. Acho que errei em falar demais, eu sempre tenho essa impressão. E a motivação para escrever aqui, já não é mais a mesma.
Isso tudo que eu escrevo, pode não fazer sentido nenhum à você, mas pra mim faz todo, era algo que eu já vinha pensando há um tempo e se faz necessário. Talvez eu crie outro blog, mais alegre e mais leve, talvez eu resolva manter tudo nos meus cadernos, talvez eu crie outro passatempo e nem tenha tempo mais para desabafar as mágoas no papel. Quem sabe?
Deixo aqui a música que me inspirou a criar o blog, o começo de tudo.
Mãe, desde que me entendo por gente, te admiro e encho o peito para dizer que vi você trabalhando, fazendo curso técnico e ainda educando seus dois filhos. Você pra mim é um exemplo de mulher, e eu tenho orgulho de ser ao menos 1% do que você é.
Sabe, eu ainda não sou mãe, mas imagino que quando temos um filho, queremos passar o melhor de nós a eles, nossos valores, nossas idéias, nossas opiniões. Mas infelizmente, não podemos fazer com que alguém seja como nós somos, só podemos transmitir o que somos e esperar que nossos filhos aprendam e façam as melhores escolhas de acordo com o ambiente e o momento em que eles vivem.
Mãe, eu imagino que não deva ser fácil criar uma menina, nós somos julgadas pela nossas atitudes, pelo jeito que nos sentamos, pelo jeito que falamos, pela opinião que temos... aliás, parece que em certas horas querem mesmo é que não tenhamos opinião nenhuma, não é?
Mais difícil que criar uma menina, eu imagino que seja difícil criar um casal... digo isso pois em certos momentos foi difícil ser a irmã mais nova de um rapaz, e eu te admiro por ter sido capaz de fazer isso (ao mesmo tempo em que trabalhava e estudava).
Não deve ser simples ver sua menininha tornando-se uma mulher, no mundo em que vivemos. Mas as coisas mudaram muito com o passar dos anos, e neste momento, eu preciso ter voz...
Mãe, calar-se em casa nunca deu nada a ninguém, abaixar a cabeça, menos ainda. Mulheres morreram queimadas para tentar diminuir a jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias, para garantir o direito à licença-maternidade que você teve quando eu nasci. Não podemos retroceder.
Se hoje vivemos momentos de manifestações pelo Brasil, sua avó provavelmente não teve direito a voz no tempo dela, já que as mulheres sequer tinham direito a votar.
Mãe, falando de uma realidade não tão distante, quando meu pai nasceu, mulheres não podiam ter um salário igual ao de um homem para exercer a mesma função, e ainda hoje, sabemos que mesmo após termos igualdade de remuneração aprovada, isso não acontece tão afinco na prática...
Quando meu irmão mais velho nasceu, a mulher pode conquistar seu direito de ir à Lua, mãe... a mulher pode ir à Lua, por que eu não posso ir à rua?
Mãe, eu sempre te admirei por trabalhar, estudar e cuidar dos filhos, só que até 1962, mulheres casadas só podiam trabalhar fora com autorização do marido. Imagina, mãe, você ter que pedir autorização para o meu pai para fazer qualquer coisa? Mulheres foram à luta, e depois de anos conseguiram mudar o Código Civil para ampliar os direitos das mulheres casadas.
Ao passar dos anos, mulheres se tornaram presidentes, atravessaram o deserto, subiram picos, tornaram-se pilotos (melhores que alguns homens) conquistaram o direito de ingressar em cursos de medicina, quantas mulheres você não teve o prazer de conhecer no seu ambiente de trabalho? Conquistamos o aumento da licença paternidade, recentemente. "Conquistamos" sim! Por que um filho é dos dois, e não é uma responsabilidade só nossa. Não é incrível?
Mãe, hoje eu cresci e me tornei uma mulher assim como você, não
com todas as suas qualidades, mas com meus próprios gostos, opiniões e valores.
Eu gosto de sair para um barzinho, eu gosto de tomar cerveja com meus amigos,
aliás, uma das maiores paixões que eu tenho é provar diferentes cervejas, sabia? De
diferentes tipos, de diferentes marcas, de várias partes do mundo. É como fazem
com os vinhos, só que é com cerveja.
Mãe, quando eu saio à noite, eu não saio para “caçar”, geralmente vou ao bar de acordo com a atração
musical, até porque, mãe, eu não tenho o menor sex appeal quando estou ouvindo uma música que gosto muito, e também não bebo para ficar embriagada, aliás, um dos maiores receios
que eu tenho é de chegar alterada em casa, porque te respeito e não quero te
ver decepcionada comigo, então eu controlo o meu limite, intercalo com água, me alimento bem...
Mãe, eu tenho amigos homens, muitos até, e quando eu saio
com eles, não quer dizer que vá rolar alguma coisa. Pode ser que aconteça... mas é na minoria das vezes, e quando acontece,
é porque eu quero.
Quando eu estiver namorando, mãe... pode ser que eu queira
ir passar um fim de semana na praia, como meu irmão faz, e é simplesmente
porque eu quero ir à praia com uma boa companhia, você pode imaginar que
estejamos fazendo o kama sutra, quando na verdade poderemos estar jogando um
jogo de tabuleiro antes de dormir, ou assistindo TV, ou fazendo qualquer coisa normal que fazemos com alguém que gostamos. Aprendi com meu primeiro namoro, que um namorado deve ser, antes de tudo, um amigo, alguém com quem eu possa conversar sobre as coisas e me divertir, sem precisar estar "namorando" de fato todo o tempo em que estivermos juntos. Mãe, nada aconteceria sem a minha permissão,
e se ele tentasse algo mesmo sem a minha vontade, a gente poderia denunciá-lo, porque trataria-se de
um estupro, claro que eu não quero um homem que não me respeite ao meu lado,
pois você me ensinou isso.
Muitas vezes, quando eu saio com amigos, se chego em casa
mais tarde do trabalho, você me recebe com uma cara fechada, como se eu
estivesse errada por me divertir. Lembro das vezes que você não me deixava
dormir durante o dia quando eu chegava de manhã, por que essa punição? O que
foi que eu fiz de errado?
Mãe, se meu irmão trabalha, eu também trabalho e compro
minhas coisas com meu dinheiro, você sabe o quanto eu sempre trabalhei e continuo, porque então não poderia me divertir? Eu me estresso igualmente e também preciso extravasar...
Se meu irmão tem “necessidades”, eu também tenho! Tenho hormônios e, como você
sabe muito bem, eles dançam pelo corpo e nos fazem atingir uns picos súbitos e insaciáveis. Somos anatomicamente diferentes, mas somos feitos da mesma
matéria. Mas eu me controlo, porque como eu disse, não quero qualquer homem ao meu lado.
Mãe, não pense que eu sou uma rebelde. Se eu me depilo de
determinada forma, isso não influencia os meus valores, é simplesmente porque
eu me sinto melhor assim. Se eu compro determinado tipo de calcinha, não quer
dizer que eu seja indecente, pode ser porque o preço se encaixava no meu bolso,
porque quis comprar um sutiã e obrigatoriamente tive que comprar o conjunto,
porque simplesmente achei bonita, ou seja lá qual for o motivo, mas você não
pode me julgar por isso, ninguém pode. Assim como a roupa que eu visto nada
quer dizer sobre o meu caráter, visto simplesmente porque me senti bem nela.
Para ser sincera, mãe... me visto mais para ter a sua aprovação enquanto passo
pela sala, do que para me sentir bem de verdade quando saio de casa...
Eu te amo e te respeito, você me ensinou todos os seus valores e o que aprendeu
com a vida, eu quero continuar aprendendo com você, mas também quero te mostrar
como o mundo funciona agora, que nós mulheres podemos ser muito mais livres,
que temos cada vez mais poder para bater de frente com qualquer pessoa que
queira nos julgar por nossos atos, jeitos, gostos, opiniões, etc, podemos ser o que quisermos hoje, astronautas, motoristas de caminhão, policiais, lutadoras de boxe... o céu é o limite! Até a Barbie tem mudado e mostrado que as mulheres podem ser como elas quiserem, que não precisamos seguir padrão nenhum. Eu fico
triste por não ser exatamente a mesma coisa como foi nos seus vinte e cinco
anos, mas gostaria que você ficasse feliz por as coisas estarem mudando e
evoluindo, e você ainda pode provar dos benefícios dessa mudança! Mãe, não estou dizendo que o seu tempo era outro, mas que as mudanças tem acontecido cada vez mais rápido, o mundo muda a todo instante.
Eu sei, mãe, que o mundo não é um lugar seguro, que não
podemos confiar em qualquer um, você me ensinou tudo isso e sempre buscou
trazer os exemplos que você via por aí. Só que nós mulheres nascemos com um
sexto sentido incrível a ponto de sentir os caminhos ou as companhias que
devemos evitar, isso é natural nosso e é nosso maior escudo.
Mãe, pode ser que um dia eu seja uma mãe, e o mundo da minha
filha será diferente do meu. O mundo da minha prima mais nova já é diferente do
meu, e às vezes eu entro em choque com o universo dela, mas sei que ela está se tornando uma mulher
tão incrível (o que não pode ser diferente, vindo de uma família como a nossa),
que eu sinto que ela certamente sabe o que está fazendo.
Eu espero que minha filha possa aprender com
os meus valores e absorver o melhor deles, espero também que ela possa formar o
caráter dela aprendendo com o erro dos outros e com as coisas que ela irá
observar na rua, como eu venho fazendo; espero que ela possa viver da melhor
forma possível, sendo a mulher que ela vir a se tornar, e que eu possa dar asas a
ela, quando chegar a hora.
Mãe, eu não quero te atacar com esse texto, eu quero te
agradecer por ter feito eu me tornar a mulher que eu sou, minha determinação,
minha independência, meu jeito de bater o pé enquanto eu não conseguir as
coisas do jeito que quero, vem de você, minha generosidade e meu amor ao
próximo, vem de você. Hoje eu criei o meu caráter, a minha personalidade, os
meus valores, a minha própria opinião, graças à educação e o exemplo que você
me deu, e isso jamais mudará, independente do que eu faço no meu cabelo, da
hora em que eu volto para casa, do que eu bebo na rua ou do que eu visto. Eu
não quero ser igual ao meu irmão, eu só quero poder ter o direito de ser eu
mesma, e não ser reprimida. Já passei por alguns apuros, mas eu soube passar por cima, pois eu tive
consciência do que estava fazendo, e eu aprendi com todos eles, eu gostaria de dividí-los com você, mas quero que você possa me ouvir sem me julgar. Eu só quero que
você confie em mim, que se preocupe mais com as coisas que te fazem bem, e
entenda que eu jamais faria algo para desapontar você, ou algo que fosse contra
os meus princípios, pois tudo o que eu quero é te ver feliz, como todas nós
devemos ser. Eu mereço e você também!
Resolvi ir à Florença porque aprendi no meu antigo emprego
que ir à Itália e não fazer o trio Roma-Florença-Veneza, era pecado. Nem sabia
ao certo o que existia lá para ver, provavelmente este era um daqueles destinos
em que eu usava o discurso pronto “Caminhe por suas belas ruas e visite um ou
dois museus”.
Florença foi um perrengue mesmo antes de eu chegar e
continuou sendo até eu ir embora. Mas talvez tivesse sido um perrengue
necessário.
Já começamos no trem partindo de Roma, dividi uma cabine-leito
com 3 italianos, me esforçando para entender o que eles conversavam. E era a
única forma de distração, já que foi o meu primeiro trecho sem wifi, sem uma
tomada e com um livro que eu simplesmente não conseguia ler de forma alguma.
Não passei por nenhum “pânico por ser uma mulher e viajar
sozinha” até tomar o trem Roma-Florença quando, na hora de dormir, um dos italianos
que estava na minha diagonal ficava fazendo uns movimentos estranhos, enquanto
deitado de bruços. A princípio, na minha inocência, imaginei que ele estivesse
se ajeitando para dormir, até que realizei que ninguém se ajeita por mais de 10
minutos...
Florença, com seu ar medieval, não foi abençoada pela
tecnologia do metrô ou do tram... mas tem ruas lindíssimas onde os carros pouco
se atrevem a passar e as pessoas caminham admirando as casinhas que parecem
terem saído de filmes. E foram por estas ruas que nós andamos... por 3
kilômetros e meio para chegar ao Hostel. Andamos.... eu, minha mochila nas
costas, minha bolsa a tira colo, minha mala de mão pendurada no braço, minha
mala vermelha de 23kg e mais outra bolsa apoiada na mala. Andamos até que a uns
200 metros do hostel, ao atravessar a rua, minha mala de 23kg resolveu ficar no
chão enquanto a alça ficou na minha mão...
Florença me reservou o pior hostel de toda a trip, onde eu
sequer pude levar minhas malas ao quarto pelos seus 3 lances de escadas
estreitas (A tecnologia do elevador também parece não ter chego por lá).
Florença me reservou o dia mais gelado até então, gelado demais para que a
bateria do meu telefone aguentasse por mais de duas horas. Florença me reservou
as entradas mais caras (as quais eu preferi não pagar).
Florença foi linda, desde o carrossel que me recebeu no
meio da cidade medieval, até ao seu ar de cidadezinha do interior de Minas
(mesmo sem eu nunca ter ido ao interior de Minas), passando pelo prazer do
sabor dos gelattos (poderia viver disso), pela loucura do Mercado Central e a
beleza fora do comum da Santa Maria del Fiore (entre os lugares mais bonitos
que eu vi em toda a minha aventura).
Florença me deu um enorme poder de liberdade em poder substituir a
Galleria Dell’Accademia e a Galleria degli Uffizi por alguns itens de maquiagem
da Kiko, afinal de contas, a viagem é toda minha e eu posso fazê-la como
desejar; depois de passar uma tarde inteira no Louvre e mais outra no Museu do
Vaticano, eu já estava bem satisfeita de obras de arte. Florença foi tão linda,
que eu nem me importava mais com os perrengues até então.
Mas Florença me tocou mesmo de outra forma, me fez ter
consciência de uma parte de mim que eu não valorizava como deveria.
Meu trem para Veneza sairia à 01h30 da manhã, e assim como
eu e as amadas malas andamos mais de 3km para chegar ao hostel, precisamos
fazer o mesmo caminho de volta, dessa vez com uma mala quebrada. A manta que eu
usava para amarrar as alças da minha mochila no meu corpo, tive que usar para
tentar uma gambiarra na minha mala.
Eu e as amadas malas saímos do hostel pouco antes da meia
noite, e entre as pessoas que iam ou voltavam dos bares estava eu, andando a
1km por hora, quase carregando a mala de 23kg na mão para que a alça não
escapasse novamente, e agora com o incômodo da minha mochila escorregando dos
meus ombros a todo instante já que eu não tinha mais com o que amarrá-la em
mim. Você pode me perguntar o porque eu não comprei outra mala, pois eu te digo
que o valor de uma mala nova era o valor que eu tinha para gastar por dia
durante todo o resto da trip.
Andava por 2 minutos, parava, respirava, tentava de novo,
quando a alça da minha mala ameaçava escapar, parava novamente, respirava,
tentava de novo. Cogitei desrespeitar as leis do mochileiro e pegar um taxi,
mas na parte medieval de Florença, logicamente não passava nenhum. E foi a
primeira vez durante toda a trip que eu chorei de nervoso/raiva/desespero.
Mas sabe...?
Não durou tanto.
Quando olhei o relógio e o mapa, vi que faltava apenas 1 dos
3km do percurso, e que não tinha andado tão devagar assim, apesar das inúmeras
paradas, então engoli o choro e continuei.
Durante aquele km restante, o pensamento foi de que aquela
situação não era para qualquer pessoa. Não era para qualquer mulher carregar
tanto peso, sozinha por uma madrugada de 3 graus. E por um momento eu lembrei
de diversas vezes em que eu me rebaixei a situações que eu não merecia passar,
que eu aceitei menos que eu valia, que eu me impus menos que eu podia. E
concluí que eu não merecia nada daquilo.
Realizei então de que realmente aquela situação não era para
qualquer pessoa, porque de fato eu não sou uma pessoa qualquer, e que se alguém
quisesse andar comigo, teria que ser muito mais que qualquer pessoa.
Das grandes dúvidas da humanidade, existe uma cuja resposta ainda não foi encontrada. Se o amor é realmente eterno e todas as pessoas que passaram por nós foram apenas breves paixões ou se o amor acaba e recomeça (e acaba de novo).
Já pensei de várias formas mas continuo sem resposta.
Só sei que o amor cansa.
O amor cansa de mentiras, e cansa em dobro das desculpas esfarrapadas em tentativa de escondê-las.
O amor cansa de buscar por atenção, o amor cansa das mensagens visualizadas e não respondidas.
O amor cansa de não saber no que acreditar, o amor cansa até mesmo de se cansar.
E quando cansa, o amor cansa ainda mais de receber uma dose de esperança e ver que na verdade nada vai mudar muito, e cansa de se ver cansado novamente, ainda mais que antes.
O amor cansa até depois que o outro vai embora e diz todas as coisas que gostaria de ter feito, quando o nosso amor já estava cansado de esperar por isso.
O amor cansa de se doar e não receber. Não se trata de um jogo de retribuições, mas o amor precisa ser regado para florescer.
O amor cansa de perguntar e não ser respondido, de ser desconversado, de ser esquecido.
Não sei ao certo o que acontecia, o que ela tinha que atraía homens impossíveis. E o pior, o que a atraia neles?
A verdade precisava ser dita... eles a atraiam... seria uma espécie de fetiche? De vício? De droga? Não sei... mas fazia com que a adrenalina dobrasse... com que a cabeça fosse às nuvens... com que o corpo arrepiasse...
Tinha sabor de pecado, aroma de mistério e textura de desejo.
O suor escorria por dentro do corpo, os pensamentos eram escondidos, só dela, como um segredo. Era como arte, mágica, música, poesia...
Se sentia errada, se sentia certa, justa e injusta.
Se sentia na divisa entre o céu e o inferno... Se fosse ao inferno, teria desejo, sorriso de canto de boca, carne, fogo, mistérios e resistências...
Se fosse ao céu, teria que apostar na incerteza, mas se tudo desse certo, teria nuvens, sorrisos de orelha a orelha, alma, pureza e mais reticências...
Como é possível ter alguém e ao mesmo tempo não ter ninguém? Querer alguém e não querer ninguém? De que adiantava tanta gente ao redor se ela se sentia sozinha e calada?
Update: Já fiz a minha escolha.
"Vida consumindo vidas para continuar vivendo.
Acaba para um, continua para todos.
A cobra come sua cauda.
O ciclo reinicia..."
Personagens novos, com os mesmos problemas de sempre. Hasta quando?
Tenho duas lembranças da minha adolescência que me marcam muito, a primeira é de quando eu tinha 16 anos e consegui meu primeiro emprego, ganhava um salário de 170 reais, mas ganhei um aumento e passei a ganhar 190!
Nessa época eu tive um namoradinho na porta da escola, que hoje é meu grande amigo, ele já tinha terminado o ensino médio e um dia eu perguntei se ele não queria fazer nada, um curso, uma faculdade, procurar um trabalho, sei lá, por que na minha cabeça sempre tive muito claro o que queria cursar e fazer da vida. Ele não sabia direto, pensava em fazer um curso de desenho mas não passava muita segurança não, então eu resolvi terminar pq "não queria um cara que não ia fazer nada da vida", eu estava cobrando isso de um cara de 17 anos.
A segunda memória é do meu único namoro sério que veio logo em seguida, onde com os meus 190 reais de salário eu consegui comprar um coturno de couro de 120 reais de presente de Natal para meu então namorado.
Namorei o Gu dos meus recém completados 17 aos 18 anos, e uma vez ele me disse que me conheceu ainda um menino, e que eu tinha transformado-o num homem. Talvez eu nunca esqueça disso.
Eu tenho plena consciência de que devo fazer parte de uma geração de mulheres com alguma alteração no DNA.
A ideia de escrever este texto me veio em uma noite em que eu estava empolgadissima em ir a um Pub daqui de Dublin que transmite os jogos do Corinthians no campeonato brasileiro, chegando lá, me vi sendo praticamente a única mulher ali vestindo uma camisa de futebol e jeans, no meio de tantos vestidinhos lindos usados pelas outras mulheres naquele lugar. Nada contra, quem me conhece sabe que sou apaixonada por vestidos, mas me senti como a Bridget Jones chegando de coelhinha na festa em que ninguém estava fantasiado.
E no Pub eu tomo cerveja vendo o jogo, e não gosto de qualquer cerveja também não, já tive minha época de amar as Weiss, hoje chego nos pubs perguntando o que eles tem de Red Ale para oferecer.
Aqui em Dublin, os rapazes dizem que é difícil encontrar uma mulher que goste de cerveja, mais ainda uma que goste de Guinness, ué... Não entendo o porque, eu adoro!
Quando saio com as garotas do café onde trabalho, sou a única pint de cerveja no meio de vários coquetéis.
Não tenho ideia do que tenha dentro de um Cosmopolitan, ou um Sex on The Beach, e pra mim não faz sentido pagar 20, 30 reais (ou 13 euros aqui) em um drink todo misturado com no máximo 200ml se eu posso comprar um litro de cerveja por metade do preço. Sério, não entendo a vantagem.
Parei de me dedicar a este texto, até que depois de algumas semanas, resolvi ir novamente ao mesmo Pub ver mais um jogo do Corinthians, contra o Flamengo dessa vez, mas naquele dia haviam mais corinthianas vestindo suas camisas! Legal! Não... Tive que ouvir uma delas perguntando quando terminava o jogo e dando incentivos aos jogadores do tipo "gente, quebra as pernas dele (jogador adversário) logo!"... :s
Parei de me dedicar ao texto de novo (isso acontece muito) e resolvi retomar novamente depois do último show em que fui: Megadeth.
Estava eu, toda apertada na segunda fileira, quando um rapaz que estava atrás de mim tentava a todo custo enfiar uma perna entre mim e a garota que estava do meu lado, nos empurrando a todo o momento... Empurrar a coleguinha pra tentar ficar na grade do show é muito anti-ético... até que nós duas tivemos a mesma ideia, demos os braços formando um cordão e começamos a empurrar o rapaz para trás e darmos pisões no pé dele. Finalmente cheguei na primeira fileira do show já que a moça da minha frente resolveu ir embora, e lá eu estava sendo esmagada e chacoalhando os cabelos alegremente enquanto um cara 4x4 atrás de mim tentava bater cabeça, levei três cabeçadas dele e fiquei meio tonta na primeira. Até que falei para ele se controlar.
Lembro do show do Foo Fighters que aconteceu aqui na Irlanda também, aquele show para mim era uma questão de honra, tinha muito orgulho ferido que precisava ser posto para fora. Eu sabia que Best of You seria a última música e eu queria muito cantá-la a todos os pulmões, e naquela hora, um grupo de rapazes veio querer abraçar a mim e a menina que estava comigo, dei um jeito de me desvencilhar e curtir meu momento, tomando chuva e berrando como uma doida. A minha amiga acabou ficando com um deles, eu não... mas quem disse que ligo? Sempre que vou em shows de rock ou em baladas, não me preocupo em parecer atraente, não me preocupo se meu cabelo vai ficar bagunçado. Me arrumo muitíssimo que bem, mas dou mais importância ao momento e aos amigos que estão comigo... não me faz sentido quem vai a um lugar desses e fica num canto, imóvel, sem se divertir, porque o salto vai machucar, porque o batom vai borrar, porque o cabelo vai bagunçar..., fique em casa e nada disso vai acontecer! Ok? Ok! Quando minha mãe estava grávida do meu irmão, ela queria que nascesse uma menina para que pudesse ajudá-la nos afazeres de casa, alguns anos depois, eu nasci, sem muito talento para estas tarefas, mas sempre disposta a ajudá-la a mover o sofá de lugar. Não sou a melhor dona de casa do mundo, mas sou hoje uma mulher de 25 anos que já trabalha há quase 10, sou uma mulher que sabe explicar as regras de um impedimento e que acaba soltando um palavrão na hora do jogo, sou uma mulher que prefere cerveja a drinks cheios de firula, que fica pronta pra sair em 20 minutos, que é competitiva, que acha que não tem necessidade em deixar um cara carregar minha bolsa, sou hoje uma mulher que deu um tapa na cara em um rapaz desconhecido numa balada em Glasgow, por ele ter passado e apertado a minha bunda, sou hoje uma mulher que realizou o maior sonho da sua vida (que não era casar-se de véu e grinalda, era viajar), e realizei sozinha, como minha mãe mesmo me lembrou hoje, contando as moedas do meu cofrinho no chão da minha sala. Mas isso não me faz menos frágil ou me salva de ter meus momentos de carência, não me faz ser menos feminina, modestamente, me maquio e me visto muito bem, obrigada!
Isso não me faz menos romântica ou menos sonhadora, mas eu sei quando é hora de parar de sonhar e acordar para ir trabalhar. E posso falar? Tenho muito orgulho de ser do jeito que sou.
Tenho um relacionamento sério com as coisas que vem do céu.
Considero que ver o amanhecer é um presente, é para abençoar o dia que começou tão cedo ou para coroar uma noite que ainda não acabou.
O por-do-sol é caso antigo, por ele sou apaixonada, paro o que estiver fazendo para apreciá-lo é recuperar as energias de um dia corrido.
Agora, quem mexe com a minha cabeça mesmo,e deixa louca, fascinada, é a Lua.
A Lua enche-se, fica imponente, brilhante, apaixonante, faz as pessoas olharem para o céu e encantarem-se com ela, é motivo de canções de amor, de poesia.
Até que de repente, mingua-se, começa a perder levemente o brilho, a esconder-se no céu aos pouquinhos, e ninguém consegue dar mais muita atenção à minguante Lua...
"Você não sabe o que tem
Até que o amor tenha quase se esgotadoDesta vez ela está desistindo" Até que ela finalmente resolve sumir, mostra sua face escura, não iluminada, para a Terra, transforma-se numa Nova Lua, preparando-se para crescer de novo enquanto ninguém a procura no céu. "Eu deveria ter previsto issoAgora é tarde demais para acordarA mente dela está feita,eu sei, o sonho acabou.""Eu estava cego demais para notá-laEnvolvido comigo mesmoTrabalhando demais, noite e diaPensei que estávamos tão segurosNão posso imaginar que outro alguémPoderia vir entre nósE levá-la emboraA mente dela está feita,eu sei o sonho acabou." Então, depois de se esconder e renovar-se em conjuntura ao Sol, a Lua volta a crescer, timidamente, aumentando de tamanho aos poucos e fazendo os seus amantes começarem a levantar seus olhos para o céu novamente. E então, um dia, ao andar pela rua, nós deparamos com ela ali no céu, cheia novamente, brilhante e imponente, e parece que a noite fica mais bonita refletindo o brilho dela. "Mas meu coração simplesmente não desiste fácilEla é boa demais para ser esquecidaBoa demais pra ser de verdadeAntes que meu mundo seja destruído,A ela eu prometerei a Lua.
E sempre que ela me esperouEu nunca disse: "Eu te amo"Mas mantive isto dentro de minha almaE a todo tempo fui um tolo."
E no fim das contas, a Lua sou eu, a Lya é você, a Lua somos todas nós... Brilhando, encolhendo, sumindo, renovando, crescendo, brilhando, chamando a atenção, cheia de fases, cheia de momentos que só um amante de verdade consegue entender e mesmo assim continuar apaixonado.
Todas as noites, quando deito minha cabeça para dormir, quando ouço aquela musica, ou quando a lua cheia olha pra mim do céu... começo a sonhar com meu mundo encantado.
Meu mundo encantado é feito de abraços, feito do seu olhar me dizendo mil coisas e do meu sorriso te respondendo, e a gente se entendendo.
Nele, o Sol brilha, a grama é verde e nos deitamos sobre ela depois de mais uma tarde de amor, como de todas as outras são feitas.
No meu mundo encantado, voltamos ao castelo, onde eu te faço um cafuné com Yesterday dos Beatles de fundo sob a meia luz. E mesmo que eu nem ao menos goste de Beatles, no meu mundo encantado isso me parece bom apenas por ver seus lábios curvando-se para formar um sorriso.
No meu mundo encantado, a distancia vira saudade, cada palavra vira carinho, os obstáculos se tornam insignificantes, as pessoas ao redor não existem e os problemas somem quando estamos juntos.
No meu mundo encantado, suamos, nos secamos naturalmente e suamos de novo. No meu mundo encantado, você existe pra mim, e eu existo pra você.
Mas eu acordo então, a musica acaba, o dia nasce, a lua vai embora dando lugar ao Sol para clarear minha cabeça. E eu me dou conta que as pessoas ao redor ainda estão ali, a distancia faz o mundo real ficar grande demais, os obstáculos não se desfazem, você não existe somente pra mim, e talvez nem eu exista só pra você e meu mundo encantado não é real, ainda é somente fruto da minha imaginação apaixonada.
E depois daquela resposta, parece que soprou um vento, daqueles que movem as dunas... E o vento varreu todos os meus planos, todas as minhas esperanças como se fossem grãos de areia. A cabeça ficou vazia, o coração também.
"Conheci um cara online. Se eu mandar um 'oi' é muito seco, se eu mandar 'oiiii' é oferecido demais... 'oie!', parece apropriado! ... Ai! Ele mandou mensagem! Não dá pra responder agora, é muito desespero, daqui duas horas eu respondo. ... Ele visualizou e não respondeu, vou ignorar, não vou falar que me sinto deixada de lado quando isso acontece, pra ver se ele melhora, vou engolir e orgulho e ignorar até ele me procurar de novo. ... Ele me convidou pra sair de novo! Queria tanto... a companhia dele é ótima e a gente se dá tão bem... mas eu sempre aceito, vou inventar que tenho algo pra fazer, porque tem que ser difícil né? E eis meu domingo, assistindo o programa do Faustão, seria muito melhor estar com ele... Epa, será que ele convidou outra? Vou stalkear mais tarde! ... Mas já é meio-dia e ele não me mandou nenhuma mensagem... O que será que houve? Também não vou mandar, deixa ele vir me procurar..." e assim a gente não conversa porque ninguém quer deixar o orgulho de lado. E assim vamos vivendo, estes amores modernos, onde ninguém se entrega, ninguém dá o primeiro passo, ninguém acredita, ninguém quer botar fé ou apostar a ficha. Tudo com muito pé atrás, porque nessa vida, ninguém quer se ferrar, afinal de contas, rede social é lugar de gente feliz. Como se o "se ferrar" não ensinasse, como se não fizesse de nos alguem melhor preparado para a próxima.
Nessa vida de tentativas frustradas de relacionamento, aprendi inumeras licoes importantes que fazem eu me considerar preparada para o meu próximo relacionamento (se vier, porque se nao vier, nao tem problema tambem) e vou passar para vocês a que mais fez sentido no meu histórico: não confie em declaracões de amor em outras línguas (quando os dois falam português, é claro!). Tem um rapaz por quem eu era apaixonada, vocês sabem! Aquele da barbicha de bode (N.E.: Descobri no fim de semana que ele tirou a tal barbicha, ate estranhei, parece outra pessoa! Não tenho uma opinião sobre, ainda... como se importasse haha), sempre que eu dizia que estava com saudades, ou que queria vê-lo, ele me respondia "me too...", e esse "me too..." nunca era seguido de um convite para sair.
Depois de muito tempo, e de outras experiências parecidas, conclui que "Sinto saudades de você" tem mais verdade que um "Miss you"... "Eu te amo" vem do coraçao, e é uma das frases mais tabus e enigmáticas de todos os tempos, mas "I love you" é só mais um jeito de falar com alguem que se ama com um pé atrás, ou um jeito de ser gentil e carinhoso sem se entregar. Dificilmente eu me declararei a alguem em inglês, se eu digo que eu amo, é porque eu amo, se eu não disse, é porque eu talvez não ame ou porque não seja a hora ainda, mas eu nunca te iludirei nos meios dos meus I love yous. Então, eu quero deixar algumas coisas claras aqui, eu tenho amado em português, eu chorei molhado hoje, eu sinto saudades, sinto daquelas que doí mesmo e eu quero a mesma clareza de volta. Quero ser amada em português, quero um coração que bate de verdade sem precisar se esconder, quero um amor que seja amor, não que seja cautelosamente, estrategicamente medido. O nome disso é qualquer outra coisa, mas sei que não é amor...
Um dia, como quem não tinha nada para fazer, sentei no sofá e comecei a simular os preços de umas passagens aéreas, até que cheguei em uma passagem barata pra Copenhagen.
Comprei animadíssima, lembrando de um dos primeiros trabalhos de faculdade que fiz, mas logo depois, vieram novos planos e eu fui deixando Copenhagen meio de lado... Não sei se foi um pecado muito grande ou se foi bom no fim das contas.
Até que num pulo, Setembro chegou e lá fui eu arrumar minha mala e embarcar sozinha pra um país da Escandinávia! Terra de Vikings, nem gosto!
Fiquei sozinha mesmo quando cheguei em Copenhagen... o Google Maps me abandonou, a bateria acabou e um leve desespero bateu.
Lá estava eu sozinha em meio a placas em dinamarquês para procurar a estação de trem para o centro. Desafio 1 concluído com sucesso!
(Desesperada no trem)
Quando forem viajar, lembrem-se sempre: Starbucks sempre tem wifi e tomada e se você for Corinthians-malandro como eu, pode se arriscar a usar sem comprar nem um cafézinho. :)
Eu tinha menos de 48h em Copenhagen, então me apressei pra fazer algo que não precisava de ingresso ou horário marcado, e lá fui eu atrás da estátua da Pequena Sereia, praticamente a única coisa que eu sabia que existia em Copenhagen. E no caminho fui me divertindo, tirando fotos de coisas que eu nem sabia o que eram.
Ao lado da Pequena Sereia, tinha uma fortificação chamada Kastellet, em formato de estrela e lá... Pra me dar oficialmente as boas vindas a Copenhagen, estava o por do sol mais bonito que eu vi na vida. E nesse momento, eu fiquei feliz! Deve ter sido o primeiro momento em que eu pensei "Caramba! Estou na Dinamarca!".
(#NoFilter!)
Foi a primeira vez na vida em que eu parei tudo e sentei para ver o por do sol, até que um senhor armado me disse que eu não podia ficar sentada na grama do forte mais bem preservado da Europa. :(
Voltei para o Hostel realizada, apaixonada, maravilhada!
No segundo dia, quis fazer o impossível e dar um jeito de fazer tudo o que eu queria... Consegui fazer mais!
Acordei cedo e fiz um passeio de barco pelos canais de Copenhagen, e a cada ponte eu suspirava!
Eu ainda tinha tempo até o Walking Tour das 15h, então olhei no mapa, pedi informação pra guia do barco e lá fui eu até a fábrica da Carlsberg! Porém, precisaria pegar o trem de novo, naquelas estações malucas que eu não entendia nada. Enquanto andava para a estação, um novo sentimento, um orgulho gigantesco, aquele era o sétimo país que eu visitava, eu, que mal fiz meus 25 anos, com um pé na Brasilândia, que nunca ganhei mais de 2 mil por mês, já estava formada na faculdade e conhecendo o sétimo país da minha lista, tudo fruto do meu próprio trabalho e esforço, e agora eu estava sozinha, fazendo tudo do meu jeito.
Peguei o trem até a estação de Engelberg e mais uma vitória conquistada com sucesso!
(Eu já me achando maravilhosa por ter pego o trem)
(#Quero)
Ainda estava em tempo para o Walking Tour, e veio a hora de me apaixonar por Copenhagen a pé.
E depois de tudo... Veio o sonho mais lindo! Sempre que estudei sobre Copenhagen e sobre a Dinamarca, lia sobre o Tivoli Gardens, o segundo parque de diversões mais antigo da Europa! O Tivoli não é só parque, é casa de shows, é jardim, é tudo! Quando comprei o ticket do passeio de canal, a moça me ofereceu a opção combinada com o Tivoli, quando ela me disse que o parque fechava às 23h quase quis dar um beijo na boca dela! Já estava desacreditada, achando que não conseguiria ir até o Tivoli... Enquanto andava pelo centro e vi o primeiro brinquedo ali rodando, voltei a ser criança! E ali tive a minha primeira experiência num parque de diversões sozinha.
<3
E eu que achava que não teria tempo pra tirar uma foto do lugar mais alto da cidade como eu faço em todos os lugares, consegui uma meio torta do alto do "elevador", no momento mais feliz da minha viagem!
Em um outro brinquedo, que dava voltas com vistas lindas da cidade, fiquei ali admirando as luzes e pensando "Eu consegui! Quando que na minha vida eu imaginei que viria pra Dinamarca, pra um país escandinavo? (mesmo que seja o menos escandinavo de todos), quando??"
Imaginei se alguém me contasse minha trajetória até aqui como se fosse a história de outra pessoa "Conheço uma moça de 25 anos que...", desculpa o palavreado, ali eu me achei foda! Todo o trabalho, todo o sacrifício, todas as vezes que chorei pra chegar em Dublin fizeram sentido naquela hora, e ali eu simplesmente cheguei a conclusão de que tem coisas/situações que eu não preciso mais me submeter, simplesmente não combinam com a mulher que eu me tornei. O ser humano, ambicioso que é, gosta de pensar no amanhã, no que quer, o ser humano gosta de querer o que não tem, e esquecemos de pensar no que conquistamos até aqui e no que nos faz sermos as pessoas incríveis que somos hoje e de termos consciência do que merecemos de verdade.
Voltei para o Hostel sozinha, com a bateria do celular me deixando na mão de novo, usando o mapinha de papel. Mais uma vitória!
No terceiro dia, que na verdade foi uma manhã, pensei em ir até a Christiania, seria a única coisa que faltaria para que eu fizesse TUDO em Copenhagen, aí o mundo caiu e eu perdi as esperanças. 10 minutos depois, o céu abriu e lá fui eu até a Christiania Freetown! Bairro alternativo formado pelos Hippies de Copenhagen. Chegando lá a chuva voltou, pra lavar minha alma, pra abençoar a minha viagem que estava terminando. Acabei na igreja ao lado, Our Saviour's Church, cheguei bem na hora que a igreja abria, talvez devia ser pra ir pra lá mesmo, fiz uma oração, acendi uma vela e voltei pro meu banho de chuva, triste de ter de ir embora, agradecida pelo choque de realidade que Copenhagen me trouxe. Na certeza de que hoje eu tenho um novo lugar favorito no mundo. <3
O Oceano Atlântico: 106.400.000km² de saudade, um quinto de superfície da Terra de ansiedade.
Os barcos levam meses para cruzar essa imensidão azul, os aviões levam em média 12 horas... meu amor leva milésimos de segundo e faz várias viagens durante o dia.
Dizem que o Oceano tem o formato de um S, o mesmo S que escreve "saudade", o mesmo S que escreve "Será?", o mesmo S que escreve um angustiado "socorro".
Nesses nove meses dos doze que se completarão dentro de alguns dias, o Oceano me trouxe, em pequenas garrafas, várias respostas, me trouxe inúmeras perguntas que me assombram a mente até hoje, mas também trocamos diversas mensagens de amor.
Quando os pensamentos se cruzam, quando coincidentemente pensamos na mesma coisa durante dias tão diferentes na Europa e no Brasil, quando a conversa é tão boa, que parece que estamos na mesma mesa do bar, quando os corações estão perto, batendo no mesmo ritmo (às vezes até dói), quando as pessoas que amamos invadem nossos sonhos, o Oceano fica do tamanho de uma pocinha d'água, me dando a ilusão de que se eu der um pulo mais larguinho, chego do outro lado. Às vezes, parece tão simples, uma sensação de que se eu pegar o ônibus 46A, chego em São Paulo.
Mas se você aí demora, quando vai embora, quando por algum motivo me ignora, o oceano... se multiplica por quatro, o Atlântico se junta com o Índico, acabando com meu mundo Pacífico e transformando meu coração num Ártico.
Dias desses, andei pelas ruas chorando minha angústia, passei pela beira do rio, e pela primeira vez eu talvez tenha entendido por que aquelas pessoas param seus dias para sentar-se à beira do Liffey para fazer absolutamente nada a não ser observar o curso da água. Talvez, elas estejam como eu, querendo enviar alguma mensagem à alguém, que está em alguma ponta deste Oceano esperando por respostas. E ali eu parei também.
Está chegando a última semana da casa dos 20, a partir de então, minha contagem passa a ser na casa do "décimo", dezenove semanas, dezoito semanas, dezessete...
Muitos exploradores cruzaram o Oceano em busca de descobertas, eu cruzei para descobrir a mim mesma, e agora quero cruzar de volta para descobrir como será a vida com um "novo eu".
Cheguei no ponto em que: f*deu.
Devo ter caído no poço, ficado tonta com meus sentimentos.
Eu só sei que sinto, e que é forte, porque me dói o peito.
Às vezes eu me esforço para parar de sentir, e sinto mais.
Mesmo sabendo que não devia, eu fui atrás, e ao invés de encontrar as respostas, mais perdida ainda eu fiquei.
Levei as mãos a cabeça e ali fiquei um tempo, sem entender, sem saber no que pensar. Meu cérebro ficou vazio por um instante, mas cheio de coisas ao mesmo tempo.
Escrevi um rascunho de e-mail, tanto que eu queria dizer. Mas sem saber se devia dizer, não é hora, não é certo, não é o momento.
Mas eu queria explodir, queria que o mundo soubesse, queria embarcar, só não queria ter esse medo de me arrepender depois.
Eu nunca fui uma pessoa de ter "inimigos", mesmo que houvessem pessoas com quem eu não me desse tão bem, nunca usei isto como um motivo para tratar pessoas mal... mas não é todo mundo que tem a cabeça assim...
Dizem que gentileza gera gentileza, dizem que gera gente lesa. Às vezes sim, às vezes não.
Largando tudo pra trás (na teoria), e vindo para uma terra onde boa parte dos imigrantes estão sozinhos e dependem de um pouco de gentileza, eu aprendi algumas lições importantes sobre essa questão.
Gentileza gera gentileza, quando se tem um coração bom. Pra mim, gentileza é uma grande corrente que precisa ser levada a frente. Trabalhando como garçonete pra viver em Dublin, eu consegui perceber o quanto aquelas pequenas gorjetas fazem diferença na minha vida, é um pouco hoje, um pouco amanhã, um pouco depois e no fim da sua semana aquilo já garante umas duas semanas de supermercado. Um gesto de gentileza que veio em retribuição a sua própria atitude de tratar uma pessoa gentilmente, como, a princípio, qualquer pessoa merece ser tratada.
Depois disso, resolvi passar as boas coisas que aconteciam comigo para frente, e desde então, em qualquer lugar que eu paro pra comer, deixo um troco ao garçom, que junto com outros trocos, no fim do mês pode virar uma conta de luz paga.
Conheci um rapaz aqui que não dava gorjetas em restaurantes, mas sempre deixava o troco com o taxista, por o pai dele exercer a mesma profissão. Desta forma, não quero instaurar que todos sejamos a nova Madre Teresa, mas creio que se cada um, de alguma forma, passasse a tratar a vida de forma mais gentil, cada um do seu jeito, várias correntes de gentileza podem correr o mundo. Um dia, aquele garçom do restaurante que comi semana passada, pode vir tomar um cappuccino na minha cafeteria.
Mas gentileza também pode gerar ingratidão... nesta terra onde é preciso a aprender a correr atrás de tudo sozinho, mas onde qualquer ajuda é bem vinda, o sucesso pode subir à cabeça, e a gentileza de hoje pode se tornar amnésia de amanhã, as pessoas podem tratar com indiferença, quem um dia lhes estendeu a mão...
E quando essa pessoa cair de novo e precisar da sua mão novamente... você vai estender? Talvez essa seja uma lição que eu esteja começando a finalmente aprender. Meu coração molenga abre os dois braços na hora, mas vivendo sozinha aqui, fiz um novo amigo: a minha razão, e ela tem me ajudado a entender que a gente não deve sempre estender o braço antes de garantir que temos força o suficiente para nós mesmos primeiro, e que às vezes é preciso passar um tempo no chão para entender a diferença que aquele braço um dia fez na nossa vida e podermos aceitar uma nova ajuda com mais gratidão. Todo mundo vai precisar um dia.
Continuo a não negar minha ajuda a ninguém, pois eu sei que o mundo dá voltas, mas se você um dia me deixou afogar, eu não te darei mais meu salva-vidas antes que eu esteja a salva num barco seguro.
"Fácil pra você dizer, que seu coração nunca foi partido.
Que seu orgulho nunca foi roubado.
Ainda não, ainda não...
Um dia destes, eu aposto que seu coração será partido,
Eu aposto que seu orgulho será roubado.
Eu aposto,
Um dia destes...
Você esquecerá de ter esperança e aprenderá a temer."
Comprei.
Comprei, não pensei e comprei.
Depois eu penso...
O cartão estava ali e comprei.
Depois olho o saldo, depois faço as contas.
Comprei como se já fosse semana que vem.
Comprei e já me deu vontade de fazer as malas, de juntar dinheiro, de fazer o roteiro.
Puta merda, comprei!
Agora ao mesmo tempo em que os dias parecem passar como uma contagem regressiva, eles nascem me trazendo uma necessidade urgente de aproveitar ao máximo!
Comprei sem conversar com ninguém, sem saber se é a coisa certa ou não.
Mas afinal, sabia eu se vir para Dublin era a coisa certa? Quantas vezes não me questionei antes de chegar??
Depois... O que será que tem no depois?
Como eu estarei no depois?
Será que eu mudarei daqui há alguns meses quando o depois chegar?
Será que continuarei querendo as mesmas coisas no meu desembarque do que quero agora?
Vocês podem não estar entendendo... Comprei minha passagem de volta para o Brasil. Sem volta. Um trecho apenas. A vida ainda tentou me dar um "peraí"... me obrigando a escolher uma data de retorno à Dublin, mas lá no cantinho, eu finalmente achei, bem pequenininha a opção "One Way".
Minha experiência aqui já é transformadora, meu Deus, tantas coisas que mudaram, tantas que se reafirmaram, que loucura. Mas, eu preciso voltar para certas coisas.
Quando resolvi fazer essa viagem, pensei que não tinha nada que me amarrasse no Brasil. Mas aqui, descobri que tenho mais amarras do que imaginava... ainda bem que são amarras de amor (eu espero).
Quando saí do Brasil, deixei braços estendidos sentindo a falta que eu faria. Os braços continuam abertos, aguardando meu abraço e me puxando pra perto deles a cada dia que passa.
Eu comprei, são quase 2 das manhã, noite de Lua Cheia no portal de Leão. Não deve ser em vão. Aqui nesse coração acelerado (que deve estar batendo no mesmo ritmo do Heavy Metal que estou ouvindo), eu sinto... tem uma vida maravilhosa me esperando lá. Eu sei! Não existe outra possibilidade.
Foi pensando nisso que eu... comprei!
Sempre fui o tipo de pessoa que conhecia alguém e já imaginava o nome dos filhos, ou que já planejava todas as coisas que iria comprar antes mesmo do salário cair. Pior ainda, sempre fui aquele tipo de pessoa que mandava uma mensagem já pensando na resposta e sabendo a tréplica que eu daria! É capaz de eu já ter imaginado mil diálogos com você aí que tá lendo e você nem imagina.
...E o que sempre acontecia? Nada do que eu havia planejado!
Uma vez, estava saindo com um cara havia um tempão... tipo, muito! Mais de um ano! Surgiu a ideia de fazermos algo juntos e eu tinha ficado de pensar; no dia seguinte, me decidi a ir, planejei tudo e... quando falei com ele... ele disse que era melhor pararmos de sair. A única alternativa que eu não tinha pensado.
Mas nem sempre era algo ruim (só na maioria), convidei esse mesmo rapaz para minha festa de aniversário, assim... por consideração/educação, ele não me confirmou nada e apareceu lá, sozinho sem conhecer ninguém, e disse que estava muito feliz em me ver naquele dia <3 awwnnn...="" p="">
A questão que quero levantar é que a vida tem uma tendência muito forte em me quebrar as pernas, me surpreender e me fazer lidar com uma situação que não estava entre as 430 alternativas que eu jã tinha pensado; O que não é ruim! É ótimo para uma pessoa como eu que adora desafios, e mostra que a vida pode mudar a qualquer momento... mas a parte ruim disso é que passei a ter um certo medo de sonhar...
Medo de sempre imaginar coisas maravilhosas e acabar quebrando a cara.
Tive uma fase então, de tentar pensar em alternativas ruins para os meus sonhos, pra tentar me forçar a me surpreender com qualquer coisa boa que viesse a acontecer, mas aí veio o medo de atrair coisas ruins através do meu pensamento "negativo". Já passei por uma fase paranoica em que gostava quando eu "morria" no joguinho, porque falta de sorte no jogo é sorte no amor.
A verdade é que é difícil controlar minha mente sonhadora, meu coração amoroso que se acelera agora. Nasci para pensar pra frente, talvez essa seja uma das razões pela qual minha cabeça seja um pouco mais além da minha idade... minha vontade de ver o futuro acontecendo logo.
Hoje eu não te digo que tenho os pés mais no chão, tenho mil coisas que sonho pra mim, já me imaginei nas mais diversas situações, tenho diversas expectativas pro futuro, mas quando me vejo mergulhada demais no meu sonho, sorrindo ou chorando por algo que nem aconteceu, e eu nem sei se vai acontecer, tento me distrair, fotografo as flores, troco a música... e tento pensar na beleza que a vida é hoje... só sonho que o futuro seja igualmente bonito. <3 p="">
3>
"Um pouco de pressa, querida
Para sentir-se tonto, para inviabilizar a mente de mim
Basta um pouco de silêncio, querida
Nossas veias estão ocupadas, mas meu coração está em atrofia
Ontem, uma das minhas inspirações veio me visitar para um encontro que não estava previsto, que acabou com qualquer possibilidade de deixar este assunto enterrado nos meus vinte e quatro, muito pelo contrário, só trouxe águas novas para rolar e muitas perguntas a serem feitas nos vinte e cinco.
Eu, que estava tendo um dia tranquilo, de repente cantava e ria mais que o normal das piadas bobas que eu assistia pelo computador.
"Céus, acho que estou alegre demais, não consigo disfarçar pra mim mesma."
Como nos velhos tempos, ajeitei minha maquiagem (seria nosso primeiro encontro depois de tanto tempo, não apareceria de qualquer jeito, né mores?) ao mesmo tempo em que a minha visita se dirigia até nosso encontro, e parece que o oceano ficou do tamanho de uma poça d'água; a mesma que dá cara ao inverno de São Paulo e anuncia que o verão em Dublin está nos seus últimos suspiros.
Uma sensação muito estranha de que seria tudo da mesma forma, que sairia de casa e as ruas de São Paulo estivessem do lado de fora do meu portão.
Quando nos encontramos, o sono foi embora. Risadas, piadas sem graça, lembranças, esclarecimentos, algumas frases que escaparam e responderam várias perguntas e... alguns segundos de constrangedor silêncio vieram. A minha sorte é que no Skype eu preciso olhar para a câmera, olhar nos olhos naquela situação, além de me deixar com uma cara de idiota na tela, me mataria (assumo).
Também veio uma vontade enorme de ficar a sós, mesmo que nada tão proibido fosse ser dito, mas estamos em um encontro aqui, com licença!
- Acho que esse encontro me ajudou a me acalmar.
- Acho que não, acho que você vai querer encontrar sempre.
- É o que você acha, né?
- Sim.
- Mas é algo que você não quer...?!
Será? Acho que a resposta veio ao cair da noite.
"How do you feel? That is the question.
But I forget, you don't expect an easy answer.
...
You can't expect a bit of hopes.
So while you're outside looking in,
describing what you see,
Remember what you are staring at is me.
...
How much is real? So much to question.
An epidemic of the mannequins,
contaminating everything,
when thought came from the heart."
Depois que o encontro acabou, olhei para o chão e lá estava toda a minha armadura desmontada, minha capa que me torna intocável também estava lá, eu era exatamente a mesma pessoa que não conseguia levantar a cabeça pra conversar há pouco mais de um ano atrás.
Fui dormir, digo... fui deitar. a frequência das batidas no meu peito e dos pensamentos na minha cabeça não me deixavam dormir... uma música talvez? Vocês sabem que Shuffle Player é uma coisa do capeta, só toca aquelas músicas pra aprofundar ainda mais o seu humor, até que você por vontade própria acaba só ouvindo aquele tipo de música.
"But I can't explain just how I feel.
Out of my heart and into my soul."
Sei que me encolhi num canto da cama até que pudesse caber perfeitamente outra pessoa lá, me virei pro lado vazio e ali eu beijei o ar na minha imaginação, e senti o beijo, e senti o abraço, e ali eu adormeci.
Hoje.
Hoje acordei e não pensei em nada daquilo que tinha acontecido ontem, então dei por mim que já tinha passado, mas sentei para começar a escrever este texto, lembrando de todos os que larguei pela metade por preguiça de levantar da cama pra escrever, e ao começar a escrever o texto,subiu um pequeno arrepio do dia anterior, mas passou! Só que no decorrer do dia, me pegava sorrindo sem motivo (com motivo), e agora ao digitar essas palavras, me coça a garganta.
Eu penso se isso vai se repetir, se não é uma recaída boba, se vai acabar, quando vai acabar, como vai acabar.
Amanhã.
Amanhã eu não sei, não sei quanto tempo vai levar para chegar o amanhã, quando eu dei por mim, já era o dia de embarcar para Dublin, os primeiros seis meses passaram-se como um flash, e eu aqui pensando que já é quase Agosto, próximo mês já é Setembro, depois já é Natal e hora de voltar pra casa.
Eu não sabia o que me esperava ao vir pra cá, continuo não sabendo o que me espera para voltar. Mas talvez, numa partezinha da minha cabeça, nessa mesmo que está doendo agora, esse cantinho do lado esquerdo, eu tenha uma leve ideia do que eu queira que aconteça.
"Between me and you...
I've been thinking about the future and..."
Desde o dia em que completei meus vinte e quatro, a vida tem sido uma assustadora contagem regressiva para os vinte e cinco.
Vinte e cinco. Serão dez anos desde que eu tinha quinze, que eu começava a me entender por jovem, e tanta coisa que eu poderia ter mudado desde lá.
Penso em tanta coisa que já mudou, no quanto eu já mudei, em como passei da garota boba que era zoada na escola por ter cabelos cacheados a uma mulher madura (poderia ser menos) com incríveis nove anos desde seu primeiro emprego (o que me orgulha muito) e que sai desfilando sua jubona enorme por aí.
Vinte e cinco anos, um quarto de século, que idade mais estranha... Parece um número tão grande e tão pequeno ao mesmo tempo... Por um lado, sinto que devia ter feito tanta coisa que deixei de fazer e agora já não tenho mais tempo. Por outro lado, penso em todas as milhares de coisas que quero/preciso fazer antes que cheguem os trinta (agora é um caminho sem volta, né migos?).
Vinte e cinco anos e lembro de cada coisa impublicavel que fiz nos últimos dois anos e que me fazem pensar em como um ano é suficiente para se fazer valer a pena, para se provar de tudo, ou para se mudar uma vida. Vinte e cinco e eu penso na pressão que a sociedade faz sobre a minha condição de mulher aos vinte e cinco: "Já está na idade de casar", "não pode ter filho muito velha", "já tem que começar a usar creme anti-idade", e isso tudo por um momento me faz pensar que tenho tão pouco tempo para tudo isso, mas depois... só penso no quanto sou jovem ainda aos vinte e cinco para encher minha cabeça com esse monte de besteiras.
Vinte e cinco e tudo o que eu quero é deitar no parque e ouvir a minha música, vinte e cinco e eu tenho uma lista de shows de rock para ir até o fim do ano que me motivam a trabalhar só para comprar ingressos como uma adolescente rebelde.
Vinte e cinco e eu só penso em como eu me imaginava aos vinte e cinco quando tinha quinze, e como eu não fiz metade do que planejei, como a vida vem sendo uma descoberta a cada dia, o que me faz chegar aos vinte e cinco sem a menor ideia do que esperar do futuro, mas com os braços e a cabeça muito mais aberta do que eu tinha antes.
25 anos, Leonina, Paulista e Paulistana morando na Irlanda, já com saudades de casa e dos amigos, em contagem regressiva para voltar. Apaixonada pela cidade pela vida, pela noite, pela música, pelas pessoas.