terça-feira, 24 de junho de 2014

Let's just breathe.

Respirar é movimento mais natural do nosso corpo, tão natural que às vezes nem percebemos que estamos respirando, mais difícil ainda é perceber que esse gesto acompanha todos os nossos sentimentos, todas as nossas sensações, todos os nossos movimentos.



No início, existiu uma respiração forte, rápida, quente, intensa, como se em meio ao ar, pequenas faíscas de fogo fossem liberadas, praticamente um dragão. Corria raiva pelas veias e frustração nos pulmões.
Em seguida, a respiração tornou-se difícil, em meio aos soluços, aquela que quase não acontece, onde se inspira o ar constantemente e expira-se quase como num tiro. Aos poucos tossindo a tristeza que enchia de dor o peito.
Os dias passam e reaprendemos a respirar, a inspirar o ar com calma e a expirar gentilmente. E com essa calma, surgem ares novos nos convidando a prová-los.
Respirando calmamente, até que o ar de repente muda; surge um estalo, a respiração acelera e torna-se mais profunda e... poxa vida, acho que quero voar nessa brisa gostosa que estou sentindo!
A partir daí inspirações longas e fundas, expirações sonoras e aquecidas, quase uma melodia, tão leves a ponto de acariciar a pele onde o ar encosta, e a delícia de perceber que há mais uma melodia ali, dançando com a sua, criando um som e atmosfera únicos produzidos por essa combinação incrível. É a ofegância da paixão.
E quando parece que os pulmões não darão conta, falta o ar... na realidade, por um momento parece que falta tudo, falta o ar, falta o chão, o tempo para, deliciosamente desacordamos.
E lentamente voltamos a respirar. Ali naquela atmosfera única criada, a respiração fica pesada, profunda, lenta... ela está se recuperando de uma grande emoção, preparando-se para descansar.
O tempo passa, a respiração dói, diminui e sai em forma de suspiro. Um suspiro de saudade.
Até que a respiração volta a acelerar, quase ofegante. É isso, finalmente chegou a hora de entrelaçarmos nossa respiração novamente! Vamos juntos criar nossa própria atmosfera...

A vida é simples e as respostas estão nas coisas mais naturais dela. Apenas ouça sua respiração. 


“Stay with me...
...let’s just breathe.”


sexta-feira, 20 de junho de 2014

A riqueza da simplicidade.

Uma das cores que colorem a vida é descobrir a riqueza na simplicidade. A delícia de sorrir olhando para um papel de bala e ninguém ao seu redor entender nada, por não saber toda a história por trás de algo que qualquer outra pessoa jogaria no lixo.
Saber que às vezes é muito melhor cancelar aquela reserva no restaurante, onde haveria uma mesa e 3 tipos de talheres e taças separando vocês dois e comprar um saco de Ruffles, sentar no sofá e ficar muito mais perto.
Ou sentir que, mais importante que o presente que aquele seu amigo de anos te deu, é o cartão que vem junto, feito à mão e escrito com carinho.
Em um mundo onde tudo é comprado, onde tudo custa (e cada vez mais caro) e tudo é cada vez mais sobretaxado, muitas pessoas esquecem-se do valor dos gestos, das coisas simples, dos abraços. Os poucos que valorizam esse tipo de coisa sabem que estes simples gestos guardam dentro deles momentos muito mais felizes e sensações muito mais grandiosas que não podem ser comprados.
Ouço muitas pessoas dizendo que isso é besteira, que “ninguém vive de amor”, que “abraço não enche barriga”, mas essas pessoas esquecem-se de pensar que ninguém vive de bolsas e sapatos e que uma bala dada com carinho pode não encher tanto a barriga quanto um jantar de 3 pratos refinados com sobremesa enquanto cada um está em seu celular, mas com certeza, essa bala dada com carinho encherá o coração.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sobre medos e palavras engasgadas.

Tantos pensamentos rondando minha mente.
Tantas emoções rondando meu coração.
Tantas sensações rondando meu corpo.
Que fico olhando para o papel em branco sem nem saber por onde começar.
Mas é tanta coisa a dizer.
Sinto as palavras enroscando na minha garganta.
Às vezes parece que vão me enforcar.
Parecem querer explodir.
Mas eu não sei.
Perdi o jeito.
Só não perdi o medo.
Que desgraça esse tal de medo!
De não saber se posso explodir,
Ou se deixo me sufocarem um pouco mais.
Ou das pragas que chegam por mensagem torcendo contra.
Essa desgraça que quer cobrir toda a minha transparência.
Quantas coisas maravilhosas talvez já tenhamos deixado de viver por causa do medo de arriscar?
Olho para trás e penso agora que muitas coisas podem ter dado errado, por medo meu de tentarem fazê-las darem certo.
E o medo não combina com a coragem que o mundo tanto me diz ter.
Então aos poucos esse tal de medo se vai.
Tem muita coisa boa dentro de mim agora e não tem sobrado espaço pra esse tipo de sentimento.

E a intensidade da torcida contra, faz com que acabe dando certo na mesma proporção. 
Se foi. 


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Enamore-se!

Ame-se, beije-se, abrace-se, agrade-se, acarinhe-se, compre-se um presente! Um não, dois! Três! Quantos merecer!
Quanto desamor estas pessoas sofrem, de acharem que a felicidade está 100% em outra pessoa. De depender que exista outro alguém para que haja um motivo para levantarmos e colocar nossa melhor roupa, de sair na rua com um sorriso no rosto. Não!

Pessoas vivem em casulos esperando o amor aparecer de fora pra dentro para tirá-las de seu refúgio e esquecem-se de encontra-lo em si mesmas. E aí o amor de fora não vem, pessoas ficam frustradas e amam-se ainda menos, mostram-se para a sociedade com uma cara fechada e um tom infeliz, fechando a porta para qualquer sentimento bom que queira bater.  

Ame-se. Use tudo o que lhe fizer bem, arrume-se sem motivo, olhe no espelho e veja toda a beleza que existe dentro de você. E aí sim mostre ela para que o mundo veja o que está perdendo.
Beije-se com amor. Leve os dedos até a boca e sinta a maciez que ela tem, assim você saberá reconhecer um beijo de amor quando ele vier e saberá dar-lhe o amor que o seu beijo tem.
Abrace-se carinhosamente. Dentro de um corpo que se ama, existe todo o calor vital necessário, e involuntariamente alguém se sentirá atraído a aconchegar-se no seu calor. É natural!
Agrade-se. Se dê um presente porque simplesmente você é demais e o merece. Se comer uma torre de sorvete o fizer feliz, coma-a. Se largar tudo e ir embora  for sua vontade agora, largue. Sorria e espalhe sua felicidade. Ninguém paga sua felicidade, então faça sem culpa e sem medo de ser feliz. 
Acarinhe-se. Em dias que o sono não vier, se permita fazer um cafuné leve e sinta a tensão aliviar.

Não são todos que conseguem notar a diferença que a vida faz quando começamos a nos amar primeiro. O amor de fora pra dentro só vem quando nos amamos de dentro pra fora primeiro. Parece clichê, mas só quem ama a si mesmo sabe a veracidade que isso tem.


Enamore-se! Sinta-se feliz por ser quem você é e o que tiver que ser atraído, será. Enamore-se e assim o mundo irá enamorar-te também. Não importa se és solteiro, casado ou se já tenha desistido alguma vez. Enamore-se sempre, espalhe seu perfume e tenha uma vida cercada de amor. Feliz dia dos namorados!


segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Plano Perfeito Desfeito e Refeito

Quem é que pode dizer que nossos planos são mesmo como nos foi planejado pela vida e quem pode dizer que não são?

A cada instante planejando um futuro novo, esquecendo que o presente vem para nos replanejar.
Agora cá estou, fora de plano, planando, esvoaçando, repensando os meus planos.
Planos que são feitos para serem desfeitos e dão lugar a novos planos. 
Nenhum plano deixado de lado, mas talvez um pouco modificados para que novos planos possam ser acrescentados na lista.

Nossos planos são como linhas que desenhamos, no meio do caminho aparece uma curva, um looping, ou alguma outra linha, desenhada por uma pessoa qualquer, cruzando com a sua, também de forma totalmente não planejada. E essa é a beleza e a delícia de uma vida.

Meus planos todos dando errado, de uma forma assustadoramente certa e perfeita. O plano perfeito todo sendo desfeito e refeito. Resolvi então apagar todo o meu plano, deixar meu lápis desenhar minha linha livremente, dia após dia, crendo que nada é impossível. Posso criar um lindo desenho com a linha que quiser cruzar com a minha, posso continuar desenhando minhas curvas sozinha, posso fazer tudo o que a vida me levar a fazer, vou desenhar pelas folhas que me parecerem mais floridas até construir meu livro de final feliz. Quer fazer parte do meu plano?




“Heaven sent Hell away.
All my life
As a dream
With open eyes
I’ll restart…”


quinta-feira, 24 de abril de 2014

PoliValente

Trago hoje um atestado de óbito. Morreu a menina doce, frágil como uma rosa na neve, insegura e sem esperança.


Ela estava lá totalmente vulnerável, completamente maleável... até que se abriu uma porta e surgiu uma mão, uma não, duas mãos quentes, grandes e firmes a convidando segurar nestas mãos e voar com elas em um mundo perfeito, assim como um pássaro, em um mundo perfeito de amor e liberdade, pois ninguém podia cobrir o céu aberto.

- Que besteira, quem você pensa que é para me levar do meu conforto para um mundo totalmente desconhecido? 

Esqueceu-se da história e voltou para seu sofá ultrapassado, inseguro e perdido. A porta abriu de novo, as mesmas mãos vieram “não pense que me esqueci de você”.

- Ora, se voltou é porque realmente pode ser que eu esteja perdendo algo. 

Ela deu uma volta, e não achou ruim. Ali era o ponto em que ela se abria para um mundo totalmente livre, colorido e experimental. Conheceu sentimentos e sensações que talvez estivessem sempre ali adormecidas, mas que não haviam encontrado espaço para se libertarem em um meio tão careta, em um lar tão conservador, no meio de tanta gente igual.
Começaram a surgir ideias naturais para colorir ainda mais a vida, como se realmente tudo isso já estivesse dentro dela o tempo todo.

Com o passar do tempo, somente evolução, somente experiências, somente aprendizado.
Primeiro, em alguns flashes, aprendeu a descobrir a mulher que existia nela, em toda sua sensualidade e poder, e ficou apaixonada, e abandonava as roupas dentro do seu casulo para poder se admirar um pouco mais. Gostou do que viu, quis melhorar, correu atrás, melhorou e se apaixonou ainda mais, se desejava. Aquela paixão trouxe confiança, trouxe segurança, que transbordou para o universo e, independente de qualquer roupa ou penteado que estivesse usando, alguém notava sua felicidade exalante.  Quando você se apaixona por si mesmo, com fogo, com fervor, esse amor é capaz de fazer transformações incríveis em você.

Aprendeu em seguida a fortalecer-se, passar por situações inusitadas e não abalar-se por conta de tanto amor-próprio dentro de si. Se algo aconteceu, criou a sensação de que era porque precisava acontecer, e abriu seu coração para absorver somente coisas positivas de tudo que acontecesse. Aprendeu por onde pisar, a parar de torturar-se. Se algo não lhe faz bem, por que fazer? Se algo vai lhe deixar feliz, porque não fazer? De repente viu que tanta coisa que sempre a vida toda, simplesmente não fazia sentido nenhum. 

Aprendeu a perdoar e a desprender-se de antigos rancores. Aprendeu a olhar sempre pra frente. 

E depois de toda essa descoberta interna, resolveu mostrar-se para o mundo, e o mundo  enxergou-a, começaram a conversar. Ela admirou o mundo e o mundo a admirava, enfim era admirada.

Provou sensações novas, sensações duplas, triplas, quádruplas, desconhecidas, inesperadas. Todas deliciosas. E se saiu bem e feliz em todas elas. Não tenho mais dúvida nenhuma que aquilo tudo já estava dentro dela por todo esse tempo de fato.

Queria mesmo era mostrar esse novo mundo para todo mundo que gostava, contar o quanto é legal, o quanto lhe faz bem. Aos poucos está perdendo o receio, a vergonha e o juízo.

E talvez hoje, tenha descoberto o amor. Descobriu que o amor está em todas as partes, que compartilhar amor não é somente através de uma relação carnal, que pode ser perto, longe ou até mesmo com gente que você nem conheça. Sempre haverá alguém para te dar um pouco de amor quando você precisar. 

Agora surge uma certidão de nascimento, de uma mulher, mulher mesmo, feliz. Claro que problemas e alguma insegurança ou outra sempre aparecem, mas aprendeu a controlar com seu próprio amor. Pula, canta, roda, no meio da rua. Faz o que quiser, com quem quiser, quando quiser, do jeito que quiser. É leve e capaz de tudo.

Pobre da pessoa que não se descobre, que não se mostra ao mundo, quem não se ama, não se deseja. Quem não se abre para descobrir todas as possibilidades deste mundo. Se não for capaz ou valente para isso, que pena... Mas só não seja mais pobre de prejulgar, de rotular, de interferir, de encher o saco. Se cada pessoa nesse mundo for feliz à sua maneira, sem julgar a felicidade do outro. O mundo perfeito seria possível para todos. 







sexta-feira, 7 de março de 2014

Às vezes faz bem chorar

Quando a alma não consegue mais flutuar,
Quando o coração começa a doer,
E o corpo passa a se encolher.
É preciso liberar toda a tensão, toda a amargura e tristeza que se juntam pelo nosso corpo e saltam pela janela da nossa alma. Esconder-se e chorar e pensar e mergulhar em uma melancólica canção.
Guardar todas essas emoções pode nos deixar doentes, nos afogar em um sentimento de tristeza, então liberte-se!
Engana-se quem pensa que as lágrimas são sinal de fraqueza. É que as vezes o nosso coração está carregado demais para sorrir, então é preciso chorar e liberar espaço para a alegria entrar.
Chorar é limpar a alma, colocar para fora tudo o que faz mal e assim, abrir os braços para um novo capítulo que está a começar.

"E nas velhas fotos procurar
Amores e amigos tão queridos
Os olhos embaçados deslizar
Recordar saudoso o que perdido

Quero recordar aquela velha casa
Quantas flores no meu jardim
Quero recordar...
Não importam essas lágrimas
Às vezes faz bem chorar"

Clara Nunes - Às vezes faz bem chorar.