terça-feira, 28 de julho de 2015

Ontem.

Ontem, uma das minhas inspirações veio me visitar para um encontro que não estava previsto, que acabou com qualquer possibilidade de deixar este assunto enterrado nos meus vinte e quatro, muito pelo contrário, só trouxe águas novas para rolar e muitas perguntas a serem feitas nos vinte e cinco.
Eu, que estava tendo um dia tranquilo, de repente cantava e ria mais que o normal das piadas bobas que eu assistia pelo computador.
            "Céus, acho que estou alegre demais, não consigo disfarçar pra mim mesma."

Como nos velhos tempos, ajeitei minha maquiagem (seria nosso primeiro encontro depois de tanto tempo, não apareceria de qualquer jeito, né mores?) ao mesmo tempo em que a minha visita se dirigia até nosso encontro, e parece que o oceano ficou do tamanho de uma poça d'água; a mesma que dá cara ao inverno de São Paulo e anuncia que o verão em Dublin está nos seus últimos suspiros.
Uma sensação muito estranha de que seria tudo da mesma forma, que sairia de casa e as ruas de São Paulo estivessem do lado de fora do meu portão.
Quando nos encontramos, o sono foi embora. Risadas, piadas sem graça, lembranças, esclarecimentos, algumas frases que escaparam e responderam várias perguntas e... alguns segundos de constrangedor silêncio vieram. A minha sorte é que no Skype eu preciso olhar para a câmera, olhar nos olhos naquela situação, além de me deixar com uma cara de idiota na tela, me mataria (assumo).
Também veio uma vontade enorme de ficar a sós, mesmo que nada tão proibido fosse ser dito, mas estamos em um encontro aqui, com licença!
       - Acho que esse encontro me ajudou a me acalmar.
       - Acho que não, acho que você vai querer encontrar sempre.
       - É o que você acha, né?
       - Sim.
       - Mas é algo que você não quer...?!

Será? Acho que a resposta veio ao cair da noite.

"How do you feel? That is the question.
But I forget, you don't expect an easy answer.
...
You can't expect a bit of hopes.
So while you're outside looking in,
describing what you see,
Remember what you are staring at is me.
...
How much is real? So much to question.
An epidemic of the mannequins,
contaminating everything,
when thought came from the heart."

Depois que o encontro acabou, olhei para o chão e lá estava toda a minha armadura desmontada, minha capa que me torna intocável também estava lá, eu era exatamente a mesma pessoa que não conseguia levantar a cabeça pra conversar há pouco mais de um ano atrás.



Fui dormir, digo... fui deitar. a frequência das batidas no meu peito e dos pensamentos na minha cabeça não me deixavam dormir... uma música talvez? Vocês sabem que Shuffle Player é uma coisa do capeta, só toca aquelas músicas pra aprofundar ainda mais o seu humor, até que você por vontade própria acaba só ouvindo aquele tipo de música.

"But I can't explain just how I feel.
Out of my heart and into my soul."

Sei que me encolhi num canto da cama até que pudesse caber perfeitamente outra pessoa lá, me virei pro lado vazio e ali eu beijei o ar na minha imaginação, e senti o beijo, e senti o abraço, e ali eu adormeci.



Hoje.

Hoje acordei e não pensei em nada daquilo que tinha acontecido ontem, então dei por mim que já tinha passado, mas sentei para começar a escrever este texto, lembrando de todos os que larguei pela metade por preguiça de levantar da cama pra escrever, e ao começar a escrever o texto,subiu um pequeno arrepio do dia anterior, mas passou! Só que no decorrer do dia, me pegava sorrindo sem motivo (com motivo), e agora ao digitar essas palavras, me coça a garganta.
Eu penso se isso vai se repetir, se não é uma recaída boba, se vai acabar, quando vai acabar, como vai acabar.

Amanhã.

Amanhã eu não sei, não sei quanto tempo vai levar para chegar o amanhã, quando eu dei por mim, já era o dia de embarcar para Dublin, os primeiros seis meses passaram-se como um flash, e eu aqui pensando que já é quase Agosto, próximo mês já é Setembro, depois já é Natal e hora de voltar pra casa.
Eu não sabia o que me esperava ao vir pra cá, continuo não sabendo o que me espera para voltar. Mas talvez, numa partezinha da minha cabeça, nessa mesmo que está doendo agora, esse cantinho do lado esquerdo, eu tenha uma leve ideia do que eu queira que aconteça.

"Between me and you...
I've been thinking about the future and..."






domingo, 19 de julho de 2015

O Número 25.

Desde o dia em que completei meus vinte e quatro, a vida tem sido uma assustadora contagem regressiva para os vinte e cinco.
Vinte e cinco. Serão dez anos desde que eu tinha quinze, que eu começava a me entender por jovem, e tanta coisa que eu poderia ter mudado desde lá. 

Penso em tanta coisa que já mudou, no quanto eu já mudei, em como passei da garota boba que era zoada na escola por ter cabelos cacheados a uma mulher madura (poderia ser menos) com incríveis nove anos desde seu primeiro emprego (o que me orgulha muito) e que sai desfilando sua jubona enorme por aí.
Vinte e cinco anos, um quarto de século, que idade mais estranha... Parece um número tão grande e tão pequeno ao mesmo tempo... Por um lado, sinto que devia ter feito tanta coisa que deixei de fazer e agora já não tenho mais tempo. Por outro lado, penso em todas as milhares de coisas que quero/preciso fazer antes que cheguem os trinta (agora é um caminho sem volta, né migos?).
Vinte e cinco anos e lembro de cada coisa impublicavel que fiz nos últimos dois anos e que me fazem pensar em como um ano é suficiente para se fazer valer a pena, para se provar de tudo, ou para se mudar uma vida. Vinte e cinco e eu penso na pressão que a sociedade faz sobre a minha condição de mulher aos vinte e cinco: "Já está na idade de casar", "não pode ter filho muito velha", "já tem que começar a usar creme anti-idade", e isso tudo por um momento me faz pensar que tenho tão pouco tempo para tudo isso, mas depois... só penso no quanto sou jovem ainda aos vinte e cinco para encher minha cabeça com esse monte de besteiras.
 
Vinte e cinco e tudo o que eu quero é deitar no parque e ouvir a minha música, vinte e cinco e eu tenho uma lista de shows de rock para ir até o fim do ano que me motivam a trabalhar só para comprar ingressos como uma adolescente rebelde. 
Vinte e cinco e eu só penso em como eu me imaginava aos vinte e cinco quando tinha quinze, e como eu não fiz metade do que planejei, como a vida vem sendo uma descoberta a cada dia, o que me faz chegar aos vinte e cinco sem a menor ideia do que esperar do futuro, mas com os braços e a cabeça muito mais aberta do que eu tinha antes. 


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Não nasci para namorar.

Tem gente que nasceu pra cantar... Tem gente que definitivamente não...
(Roberto Justus, My Way não é pra você!)

Tem gente que nasceu para Exatas, tem gente que se desespera quando vê uma equação com X.
Tem gente que nasceu para falar de amor...
...eu...tento!

Já repararam como tem gente que nunca fica solteira? Emenda namoros em namoros, ou troca de namoro ao menos umas três vezes ao ano. 
Pois bem... eu... não nasci para namorar. Nasci para nadar na praia, nasci para fazer Turismo, nasci para curtir um rock, não nasci para cozinhar... nem para namorar.
Não, não... Não sou infiel ou insensível, muito pelo contrário... Só não tenho talento para isso ou a vida não quer que eu namore, sei lá... e não estou me lamentando não! Já lamentei bastante, mas agora eu aceito!

Eu já tentei sim, e já namorei inclusive! Há oito anos (caraca!), e era ótimo, nós gostávamos demais, nunca brigamos, mas terminamos sem justificativa, sem discussão, porque era para acabar mesmo. Hoje em dia a vida nos levou para caminhos diferentes, então talvez teria um fim de qualquer forma... E tudo bem! Ele dizia que eu ainda viajaria muito e que eu fui uma das melhores coisas que já lhe aconteceu, não vou esquecer nunca quando ele me disse que me conheceu ainda menino e eu o transformei num homem, isso pra mim foi a glória.

Depois disso, tive alguns "quases", o primeiro veio através de uma garota da minha classe: "tenho um amigo que é a sua cara! Adiciona o msn dele aqui ó" e me deu um bilhete com o endereço. Loucura! Mas nos demos muito bem e foi muito bom, saímos pela primeira vez numa virada de dia dos namorados, inclusive. Aí ele passou a ficar meio deprê e não queria mais sair de casa... Até que a verdade veio... uma pessoa que ele gostava no passado resolveu dar bola justamente quando estávamos juntos... e ele foi. Não foi culpa minha, não fiz nada errado, nem deixei faltar algo, alguém simplesmente estava na fila primeiro. Eles namoraram, o namoro acabou, voltamos a nos falar, ele disse que ela era louca e que se arrependia do que havia feito comigo... ¯\_(ツ)_/¯ .

"Vá, se quisereu nunca tentei impedí-la sei que há um motivopara tudo isso, você está se sentindo tristea culpa não é minhavocê não poderia ter me amado maisnão poderia ter me amado maisnão poderia ter me amado."*
Depois veio o segundo, nós conhecemos na minha balada preferida, na véspera do seu vestibular... ele ligou no dia seguinte e por mais um ano... Mas me intrigava, sumia e aparecia e me deixava maluca... Acho que era isso que me encantava nele e era capaz de ele saber disso. Talvez por isso, por ele fiz loucuras, mas depois de mais de um ano reparei que eu o namorava e ele não... continuava namorando a vida mesmo. Ele foi deveras bacana, quando me viu numa rua sem saída, disse que não poderia me dar o que eu queria, e era verdade, eu sabia disso, só precisava ouvir.Anos se passaram e eu contei a ele as loucuras que fiz, ele ficou surpreso e honrado, acho que continua solteiro (é difícil decifrar a misteriosídade intrigante dele), sei que está estudando muito ainda, sumindo, voltando e intrigando, talvez não tenha nascido para namorar, assim como eu.
Por esse fiquei muito mexida, então resolvi acrescentar esse motivo na minha lista de razões para me mudar para a Irlanda, como uma fuga dos meus sentimentos. 
Em meio a reflexões e caos, comecei a analisar e notar que as garotas que faziam as coisas mais erradas eram as que tinham os namorados mais bacanas. Tentei agir assim, mas isso não faz parte de mim, me apaixonava na primeira mensagem mais carinhosa.Nisso, conheci o terceiro, um romance cheio de liberdade, modernidade e muito carinho, mas eu estava de viagem marcada e ele não soube lidar e me largou, depois se arrependeu e quis dar um jeito de me segurar, ficou louco, disse que quando eu voltasse, seria dele de qualquer jeito, fiquei realmente com medo de um sequestro ou coisa parecida, caso eu não tenha nascido mesmo para namorar, dessa vez eu agradeço! Eu hein! 
Quando já tinha desistido dessa vida, conheci o quarto e nossa... Com o quarto foi tudo tão perfeito... Mas novamente minha viagem marcada fez ele trocar os pés pelas mãos e tudo acabou da pior forma possível. Sei que não foi culpa minha, mas foi assim, e ele continua enviando mensagens com saudades e dizendo o quanto sou sensacional. 
"fique se você quiser...eu sempre espero para ouvi-lo dizer que há um ultimo beijo.para todas as vezes que você fugiu assim, a culpa não era minha.Você não poderia ter me amado mais,não poderia ter me amado mais,não poderia ter me amado..Eu não poderia tê-lo amado maiseu não poderia amá-lo maiseu não poderia amar..."*
Eu tentei, eu tentei por várias vezes, mas hoje penso que talvez eu simplesmente não tenha nascido para namorar. Talvez tenha nascido para ensinar uma lição de amor para cada um que cruzou o meu caminho, talvez eu tenha nascido para viver meus romances e transformar as dores em textos doces para aliviar as dores dos outros. E tudo bem! Eu amo o que faço! Então vou namorando a vida, fotografando as flores**, namorando minhas músicas, guardando meu amor para me enamorar***. Hoje, acho que vou colocar minha melhor roupa e me pagar a melhor cerveja no meu Pub favorito para fazer meu próprio feliz dia dos namorados, eu mereço! Todo mundo merece! 

*Trechos da música "End of the World do The Cure http://youtu.be/AlCppz0UVR8
** Eu fotografo flores mesmo, tenho uma conta no Instagram para isso! www.instagram.com/florescoreseamores
*** Veja meu texto do dia dos namorados de 2014! "Enamore-se!" http://caosprimitivo.blogspot.ie/2014/06/enamore-se.html?m=1

sábado, 6 de junho de 2015

Meus torrões de açúcar.

Dentre tantos desafios da vida, me vejo obrigada a encarar um dos mais difíceis que eu nem sabia que existia: O encaixe. Encaixar-me nos grupos que a vida me coloca com as minhas singularidades. Encaixar meus novos grupos nas minhas particularidades.
Quando somos obrigados a encarar um novo grupo, descobrimos que nossas pequenas diferenças fazem toda a diferença.
De repente gostar de rock te transforma num frequentador de cemitérios, adorador do demônio, preconceituoso com outros estilos musicais e te restringe a apenas ser fã de heavy metal e ouvir "rock pesado", ser vegetariano te transforma num chato que não pode comer nada, fumar um baseado te transforma num drogado.
E não me isento desta culpa de ter alguns conceitos prontos na minha mente (e nem você, todo mundo tem, infelizmente, você sabe!) mas fico feliz de ter quebrado alguns tantos outros. :)

Mas durante a vida, temos que sair e entrar em diversos grupos, destes grupos, algumas pessoas ficam e outras vão... como se passássemos um punhado de açúcar numa peneira, todo o açúcar se vai e os cubinhos maiores ficam. Saímos da escola, fomos para a faculdade, colocamos mais um punhado de açúcar na nossa peneira. Encontramos um emprego, e... mais um punhado de açúcar...e nossos amigos, aqueles que se encaixam perfeitamente nas nossas diferenças, vão ficando, adoçando nossa vida. Aqueles que entendem que um dia você vai querer ficar em casa e que no dia seguinte você pode querer usar todas as horas do seu dia. Aqueles que ficam dias sem falar conosco, e voltam com saudades e o mesmo sentimento de amizade de antes, ou aqueles com quem falamos todos os dias e o assunto nunca acaba. Aqueles que se encaixam na nossa vida e nos dá vontade de nos encaixar na vida deles.




Entrei na faculdade e ganhei amigos que vem ficando mesmo 5 anos depois, simplesmente porque morávamos perto e descobrimos que tínhamos tanto em comum... A faculdade me trouxe um emprego, e o emprego me trouxe amigos que vem ficando por mais dois anos simplesmente porque gostávamos de comer coxinha no centro, e de tanta coisa em comum, os dois anos parecem cinco. Eu vivi a vida, e vivendo ganhei amigos que vem ficando por dez anos, simplesmente porque não gostávamos da mesma banda em comum e anos depois, nos vimos juntos sentados na beira da praia falando da vida. Continuei vivendo e ganhei amigos que vem ficando por nove anos, porque éramos adolescentes e gostávamos da mesma banda de rock, e mesmo depois dos anos terem passado, dos gostos terem mudado, continuamos amigos porque nossas semelhanças nos une e nossas diferenças nos faz aprender e abrir a mente.
Sou uma pessoa tão afortunada, que alguns destes amigos que ficaram na minha peneira, mesmo não tendo a mesma origem, mesmo tendo outras diferenças entre si, um dia se encontraram, em alguma festa minha de aniversário, e amigos ficaram também. Sou tão afortunada que consegui criar uma família de amigos.

Mas um dia resolvi jogar tudo para o alto e vir para o outro lado do oceano. E aprendi que quando se sai de um emprego, os amigos de verdade continuam lá, quando se larga um curso, os amigos de verdade continuam lá, mas quando se vem para longe... os amigos continuam lá, mas não aqui... E aqui vou seguindo, por muitas vezes me sentindo invisível enquanto a vida e as pessoas correm ao meu redor
Quando eu era mais nova, minha mãe me dizia que eu tinha que parar de chamar todo mundo de "amigo", e eu entendo hoje o porque... aqui eu aprendi que fazer amigos... meu amigo... não é fácil.

Não é fácil começar uma turma do zero, não é fácil se encaixar numa turma pronta, não é fácil encontrar alguém com as mesmas singularidades que você, ou com a paciência necessária para entender e aceitar suas diferenças. Não é fácil. Não está sendo fácil. Fácil é conhecer gente, fácil é encontrar pessoas nos bares, fácil é adicionar contatos novos no Facebook, mas carregá-los para o resto da vida, não é. Amizade é uma conexão de almas, uma conexão de corações e esse encaixe não é tão fácil quanto eu achava que fosse.

Sei que eles estarão me esperando quando chegar o dia da minha volta, mas só meu coração sabe o quanto eu queria que eles estivessem aqui comigo agora...





sexta-feira, 22 de maio de 2015

Não te amo mais! (?) - Lenços de Papel

Não te amo mais, mas...
Depois que tudo aconteceu e troquei de endereço, resolvi fugir para sempre.
Excluí de mim os registros seus, já que tua nova vida me torturaria. Excluí de ti os registros meus para que não tivesses notícias minhas; não soubesse do meu começo difícil, das noites em que chorei achando que tudo daria errado, nem das pequenas conquistas que o tempo trouxe, como os pratos novos que aprendi a fazer. Você ficaria muito feliz de saber o que me aconteceu na ultima semana, mas melhor não...
Não te amo mais, mas... vesti minha capa de arrogância para cada vez que você viesse atrás de notícias, e do outro lado da linha eu me divertia por ter superado mais este dia.
Não te amo mais, mas... por dentro me doía a cada mensagem recebida, e eu de tudo me esquecia para elaborar uma resposta estrategicamente enquanto daqui eu tentava imaginar o que você sentia ou de que recordava enquanto me escrevia... E quando você demorava a vir, eu até sentia falta.
Não te amo mais, mas... confesso que já me esforcei para mostrar-te a parte feliz da minha nova vida, mas este é um hábito moderno que nossa geração aprendeu a ter.
Não te amo mais, mas... comprei ingressos para um show, e passei alguns dias tentando decorar a letra de uma canção na qual o vocalista cantava com orgulho que já não amava mais seu ex amor, só para que eu pudesse cantar com mais fervor na platéia, e talvez "acidentalmente" filmar um trecho do espetáculo estrategicamente durante essa canção. Só parei de perder meu tempo com isso quando me dei conta que talvez o autor da canção ainda amasse seu ex-amor para escrevê-la, por que não escrever uma canção de amor a sua nova parceira ao invés de um discurso de superioridade e arrogância ao amor que supostamente acabou? 

Não te amo mais, mas... já vi nas vitrines vários presentes com a sua cara, e lamentei por não ter motivos para comprá-los (ao menos economizei uma boa grana!).
Não te amo mais, mas... ontem, talvez não por acaso, encontrei jogado um pacotinho de lenços de papel ainda pela metade; coloquei em meu bolso para deixar em algum canto e ele acabou indo parar na minha casa, então o guardei na bolsa, que comprei durante uma viagem que não quis te contar que fiz. Nunca usei lenços de papel, mas vai que... Espaço eles não iam ocupar mesmo...
Hoje na escola, estamos tendo uma sessão de cinema na classe, o filme parece bem interessante, mas em um minuto de tédio, folheei escondida as páginas do livro que estou batalhando para ler, o narrador descrevia um casal que pareciam uma só pessoa com quatro braços e duas cabeças de tão próximos que estavam um do outro enquanto assistiam um programa de culinária e tomavam chá no sofá da sala, eu confesso que pensei em você... e não vi a minha imagem ao teu lado no sofá, vi outra pessoa..., mil lembranças rondaram minha cabeça e sem que eu percebesse, lágrimas quentes e silenciosas correram pelo meu rosto. Olhei no fundo da bolsa e lá estava o meio pacote de lenços de papel, agora eles estão aqui silenciando meu choro enquanto sento aqui no fundo da sala, ignorando o filme devido a minha necessidade imediata de por essa melancolia pra fora, lamentando minha recaída. 

Não te amo mais, mas... escrevi tudo isso no meu caderno a tinta preta, sem uma rasura ou pausa, pois as palavras fluíram naturalmente do meu coração. 

Não te amo mais, mas... mesmo sabendo que um dia ou outro você vai acabar lendo esse texto, resolvi me expor do mesmo jeito. Por mais que eu tente, não levo o menor jeito para joguinhos de amor e mistério. E talvez você esteja lendo justamente por não me amar mais, mas...

Não te amo mais, mas... talvez eu ame sim, eu só não amo te amar como amava antes.

Quando precisamos nos afirmar que não amamos mais alguém, é a prova de que ainda amamos. Quando não amamos, simplesmente esquecemos. 

Não nos amamos mais, mas... Também não nos deixamos ir.








terça-feira, 28 de abril de 2015

Meus brincos dourados.

Meu saquinho dourado de brincos tem muitas histórias para contar.
Há brincos ganhados em protesto à minha antiga comodidade em usar as argolas de sempre; há brincos comprados em um ataque de futilidade e um salário cheio na conta, há brincos ganhados em solidariedade aos meus brincos que enroscam nos meus cabelos e caem. 

No último domingo, resolvi ir à uma festa e finalmente voltar meus olhos para mim, roupa nova, cabelo trabalhosamente feito, uma maquiagem diferente... A ultima coisa que me faltava escolher foi a cereja do bolo... Os brincos, que já estavam enchendo-se de pó no meu saquinho dourado abandonado.
Peguei os maiores e mais brilhantes e os coloquei, o peso das más recordações envolvidas naquele par fizeram minhas orelhas pesarem. Então peguei um pequeno par de brincos dourados em forma de leão e os coloquei. O amor com o que eles foram me dados me envolveu e senti ali um abraço. 
Os brincos que você me deu aproveitaram a festa, dançaram, perderam a timidez e conversaram com desconhecidos, parecia até que você estava comigo aproveitando a noite. Eles eram tão pequenos e delicados que continuaram na minha orelha por mais dois dias sem que eu percebesse. Dormi e acordei e eles permaneceram sem me incomodar. 
Hoje, terça-feira, fui para a minha rotina de atender mesas e servir cafés com os pequenos leões dourados nas orelhas. No primeiro "olá" que disparei para uma colega, recebi em resposta um elogio aos meus brincos. Mais alguns minutos e até mesmo a mais fria das garotas se derreteu aos encantos dos meus brincos "que bonitos! São leões?". 
Algumas horas e inclusive duas senhoras me pararam para elogiar, logo após eu ter servido seus cappuchinos e suas tortas "que lindos brincos! São de ouro?".
Ouvi com atenção a cada uma dessas pessoas e respondi-lhes com carinho e muito orgulho: Obrigada, são presentes da minha melhor amiga!" 
Respirei fundo, fui ao banheiro e me vi no espelho com o par de leões nas orelhas, segurei os olhos mas não consegui evitar que algumas lágrimas rolassem. Respirei novamente e tudo já estava bem, pois de um jeito ou de outro, era você que estava comigo. 

De todas as saudades que tenho, a saudade de você é uma das que mais me aperta o coração.
Em todos os momentos de fraqueza, minhas lembranças das suas palavras sempre prontas a me ajudar e do seu abraço que certamente viria logo em seguida, me acalmam e me acalentam.
Em todos os momentos de alegria, penso na felicidade que seria ter você rindo ao meu lado e compartilhando desses momentos.

Aqui do outro lado do oceano, me falta alguém que me entenda com o coração, me falta alguém que possa me acompanhar em qualquer lugar que seja e que vai se divertir comigo de uma forma única, me falta alguém que incrivelmente sente quando eu preciso de ajuda e vem me oferecer um abraço sem nem saber o motivo da minha tristeza, você simplesmente sempre sabe. Mas sei que tenho um pedaço de ti aqui, e sempre que eu colocar meu par de leões dourados, você estará comigo e tudo vai ficar bem.





quarta-feira, 8 de abril de 2015

Nossa Música

Ontem tocou a nossa música no rádio.
Lembro que você abaixava o som do carro pra me ouvir cantar, e eu tinha tanto, tanto medo de que aquela música se tornasse nossa trilha, pois ela falava do casal que se dava tão bem e só passava a brigar o tempo todo para depois pegarem-se pensando um no outro se ainda/já estavam solteiros (novamente).

"We used to look at the stars and confess our dreams, hold each other 'till the morning light. We used to laugh, now we only fight... Baby are you lonesome now?"

E foi exatamente o que aconteceu. A perfeição intensa dos nossos encontros veio seguida de brigas intensas e intermináveis por ações não pensadas, brigas que tomaram-nos meses enquanto eu achava que morreria e choraria por 40 noites, assim como em todos os meus outros casos de amor.
Talvez eu tenha chorado intensamente por 30, mas não morri como pensara.

Depois me peguei investigando, querendo saber a quantas andava seu novo amor, e você me confessou fazer o mesmo sobre a minha vida.

A história da música acabou, então resolvi acabar de vez com a nossa também. Fechei o livro e parti sem deixar aviso prévio ou nenhum outro rastro para mim e para você, como pede a canção. 

Ontem tocou a nossa música no rádio, e ao invés de chorar ou fechar a cara, dei um gole na minha cerveja, fiquei feliz por ouvir minha banda favorita e comentei com os amigos na sala o quanto o vocalista da banda é lindo, exatamente como eu costumava fazer nos velhos tempos antes de te conhecer.

Parecia que duraria para sempre, e não durou seis meses completos, parecia que eu sofreria por anos, mas passado um mês, tudo já estava bem. Parecia que eu nunca te esqueceria, mas hoje eu tenho tantas outras coisas para pensar que eu não me sobra tempo para de lembrar de ti.

Agora que me vejo livre, estou vivendo e ansiosa pela próxima história que terei para contar, pela próxima música que irei cantar. 
Afinal de contas, ain't we are just runaways?